Sunday, January 18, 2015

Haddad manobra para esvaziar os protestos do MPL em São Paulo

PROTESTOS CONTRA AUMENTO DA TARIFA

Haddad manobra para esvaziar os protestos do MPL em São Paulo

Prefeito se reúne com a juventude do PT para criar uma agenda paralela às manifestações

Primeiro ato do MPL pelas ruas de São Paulo. / SEBASTIÃO MOREIRA (EFE)
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), começou a se mover politicamente para tentar enfraquecer os protestos pela revogação da tarifa do transporte público, iniciados na semana passada e com novo round previsto para esta sexta. Na quarta de manhã, dois dias antes do segundo ato convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), grupo que iniciou a onda de atos que tomou as ruas do país em 2013, Haddad recebeu cerca de 15 integrantes da Juventude do PT. A pauta era o transporte, mas o MPL não foi convidado.
O encontro de três horas não aparece na agenda pública do prefeito. A reunião foi confirmada por uma fonte próxima a Haddad, que disse que ela foi informal, por isso não constava da agenda, e partiu de uma vontade recíproca de redirecionar a discussão sobre transporte público, paralelamente às exigências do MPL. Segundo participantes da reunião, os petistas no encontro também representavam movimentos de moradia, estudantis e sindicais. Eles decidiram criar uma pauta própria de atos com uma “agenda de esquerda que não vai de maneira irresponsável pedir a revogação da tarifa e, sim, pedir avanços”, definiu um dos participantes.
Para o grupo, a tarifa zero, principal bandeira do MPL, não pode dominar o debate sobre a mobilidade na cidade. O movimento é visto como “irresponsável” por não considerar o significado da gratuidade do transporte nas finanças da prefeitura. A exigência do MPL custaria seis bilhões de reais, dinheiro que sairia de áreas como saúde e educação, segundo o prefeito.
A reunião também discutiu como levar às ruas uma bandeira de Haddad: a municipalização da CIDE, um tributo que incide sobre a gasolina e que só chega aos cofres da União. O tema, que não é prioridade do MPL, agora deve ser defendido em aulas e debates públicos em universidades, que poderiam contar com a participação do prefeito. Desde o início do mandato, Haddadadvoga para que as prefeituras sejam beneficiadas pelo tributo. Para ele, essa é a saída para baratear as tarifas.
A articulação paralela do prefeito pretende posicioná-lo como um político que dialoga com as ruas. A estratégia foi colocada rapidamente em prática de novo nesta quinta-feira, quando ele, pessoalmente, recebeu uma comissão das principais entidades estudantis que atuam em São Paulo, que haviam acampado na porta da prefeitura exigindo diálogo e um Passe Livre estudantil irrestrito.
Os estudantes saíram da reunião com compromisso do prefeito de criar uma mesa de negociação permanente para discutir a ampliação da gratuidade. Haddad se comprometeu também a aumentar o benefício para os alunos de escolas técnicas e a estudar os custos de ampliar o Passe Livre para mais estudantes, como beneficiários de bolsas não-governamentais.

Bastidores X ruas

Desde 2013, movimentos sindicais, estudantis e de moradia se sentiam excluídos da movimentação do MPL, que assumiu todo o protagonismo na pauta do transporte público, historicamente ligada a esses movimentos. “As entidades reclamam, mas esses mesmos movimentos não têm o poder de mobilização do MPL nesse momento”, afirma uma das coordenadoras do Levante Popular da Juventude, entidade que recusou o convite para participar da reunião de quarta com o prefeito. “Nós não nos sentimos legitimados pelas ruas para participar dessa reunião que divide a juventude. Para nós, o interlocutor deve ser o MPL.”
Haddad tem explorado essa insatisfação. As entidades estudantis recebidas nesta quinta pelo prefeito, entre elas União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Estadual dos Estudantes (UEE),  que de 2013 até a última sexta participaram dos atos do MPL, decidiram no último sábado que não estarão mais presentes nas próximas manifestações do movimento. “Nos identificamos com a reivindicação de ter um novo sistema de transporte, mas resolvemos defender nossa própria pauta: a ampliação do Passe Livre”, afirma Carina Vitral, presidenta da UEE.
A manobra do prefeito será testada nesta sexta, quando acontece o segundo ato organizado pelo MPL. No primeiro protesto, a entidade conseguiu levar às ruas 5.000 pessoas, na estimativa mais conservadora, feita pela Polícia Militar. O número surpreendeu, porque se acreditava que as medidas anunciadas pela prefeitura junto ao aumento da tarifa, como a gratuidade para parte dos estudantes, conseguiria esvaziar o ato.
Entretanto, o movimento, que se diz apartidário e horizontal, sem lideranças definidas, tem sido bem-sucedido justamente por conseguir a adesão de jovens que não são ligados aos movimentos tradicionais, onde o PT tem forte presença. “A tomada de decisão do grupo é amplamente democrática, o que não existe em outras entidades”, explica João Alexandre Peschanski, professor de ciências políticas da Faculdade Cásper Líbero, um dos autores do livro Cidades Rebeldes, da editora Boitempo, que analisa as manifestações de 2013. Ele afirma que a falta de líderes do MPL faz com que seja difícil a cooptação do movimento pelos Governos.
Assim como em 2013, outro fator que pode influir no aumento dos protestos, longe do controle de Haddad, é a reação ante a violência policial, já vista no último ato. O próprio prefeito, cobrado nestas reuniões para se posicionar contra a repressão policial, considera que a truculência da PM pode levar mais pessoas para as ruas. Independentemente do resultado deste segundo ato, onde a polícia aumentará o efetivo de 800 para 1.000 homens, o prefeito já marcou mais duas reuniões para a próxima semana. E o MPL também não estará nelas.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/15/politica/1421358031_654782.html

Crime Organizado Internacional: PCC

PCC movimenta mais de 100 milhões de reais nos EUA e na China

Dinheiro da facção criminosa era lavado no Brasil por meio de farmácias e postos de combustível. Polícia e Ministério Público apuram se políticos tinham relação com o grupo

Amarildo da Silva, um dos presos em 2014. /DIVULGAÇÃO/POLÍCIA CIVIL
Quase seis meses depois de fazer uma das maiores operações contra a facção criminosa PCC, o Primeiro Comando da Capital, a polícia de São Paulo descobriu que as ramificações financeiras do grupo vão além da América do Sul. No fim do ano passado, Os investigadores da Polícia Civil e do Ministério Público apuraram que a organização tem movimentado contas em bancos dos Estados Unidos e da China.
É a primeira vez que recursos do grupo estariam fora do território sul-americano. Até então, a polícia apurava se havia elo com outras quadrilhas internacionais, mas cada uma atuando em seu próprio país.
Em uma primeira análise, a polícia constatou que, no período de um ano, cerca de 100 milhões de reais saíram de contas de empresas fantasmas para comprar drogas e armas que tiveram como destino os pontos de venda de droga, as chamadas bocas de fumo, de vários municípios paulistas. O valor deve ser ainda maior, já que os policiais agora aguardam a quebra de sigilo de ao menos dez contas que estariam em nome de laranjas do PCC.
Um dos responsáveis por movimentar as contas americanas, segundo a apuração, seria Wilson José Lima de Oliveira, o Neno. Até julho do ano passado ele estava vivendo em Orlando. Agora, está foragido. O nome da conexão chinesa do PCC não foi divulgado.
Uma das casas de câmbio investigadas era dirigida por doleiro que já foi detido em operações que envolviam políticos do PT e do PSDB
As descobertas sobre a ramificação intercontinental aconteceram depois da apreensão de comprovantes bancários que estavam com Amarildo Ribeiro da Silva, que era o responsável pela compra da droga. Com esses dados, os policiais chegaram a duas casas de câmbio paulistanas e, na sequência, às empresas de fachadas que foram usadas para abrir as contas no exterior. São empresas que não possuem sede, declaram atividades que não cumprem e estão em nomes de pessoas que, muitas vezes, desconhecem ter uma firma registrada como suas.
Uma das casas de câmbio, conforme os policiais paulistas, era dirigida por um doleiro que já foi detido em duas operações da Polícia Federal que envolviam políticos tanto do PT quanto do PSDB. “Sabemos que é difícil comprovar, mas estamos investigando uma relação entre o PCC e políticos. Ainda não temos nomes”, disse um dos investigadores. No ano passado, o então deputado estadual do PT, Luiz Moura, chegou a ser expulso do partido por suspeita de ter relações com a facção.

Farmácias e postos

Outro investigador consultado pela reportagem afirmou que postos de combustíveis e farmácias estão sendo usados para lavar o dinheiro e encobrir as irregularidades. Esses estabelecimentos recebiam o dinheiro das empresas de fachada e davam uma origem legal aos recursos financeiros. “Antes achávamos que tudo era usado em postos de gasolina, mas os criminosos descobriram que se usassem as farmácias poderiam comprar livremente produtos para usar no refino da cocaína. Aí eles, gostaram da coisa, viram que não é tão difícil lavar dinheiro nas farmácias e começaram a comprar lojas pequenas em bairros”, explicou o policial.
De acordo com as apurações, os principais fornecedores de maconha e cocaína para a facção são traficantes do Paraguai e da Bolívia. A ramificação paraguaia era, até meados de agosto, articulada por Fabiano Alves de Souza, o Paca, até então um dos líderes do PCC. Mas, devido a divergências na contabilidade do grupo, ele foi suspenso do banco e até ameaçado de morte pelos outros chefes do grupo.
A apuração, que já dura um ano, está sob sigilo judicial porque envolve uma série de dados fiscais. Parte do caso foi inicialmente divulgado pelo portal R7 nesta semana.
Com a mudança no comando da Secretaria da Segurança Pública, no fim do ano passado, as investigações foram reforçadas. Antes, estavam concentradas no Departamento de Investigações Criminais (DEIC), agora serão compartilhadas com o Departamento de Narcóticos (DENARC).
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/16/politica/1421442251_840140.html

Violència Policial - Brasil Nunca Mais - Abaixo a ditadura Policial do Governo do Estado de São Paulo

Ato do MPL acaba em mais repressão

Passeata do Movimento Passe Livre é atingida por bombas e gás lacrimogêneo

Ato é menor, mas novo protesto é marcado para a próxima terça-feira

Policial detém manifestante em ato desta sexta. / NACHO DOCE (REUTERS)
Pela segunda semana seguida, o ato organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra a tarifa dos transportes públicos de São Paulo foi dispersado violentamente pela Polícia Militar, com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Ao menos 11 pessoas foram detidas e três agências de bancos tiveram seus vidros depredados.
Os manifestantes, que partiram às 17h da praça do Ciclista, na avenida Paulista, definiram em uma assembleia antes da marcha que o ato seguiria até a Prefeitura de São Paulo e, depois, iria para a Secretaria Estadual dos Transportes, ambas no centro. A PM disse ao MPL que o grupo não poderia seguir pela avenida Paulista, onde estão sendo realizadas obras para a implantação de uma ciclovia. O grupo caminhou então pela rua da Consolação, local onde ocorreu o confronto na última semana. Na mesma rua houve um princípio de tumulto e um manifestante foi detido. A PM chegou a usar bombas contra um pequeno número de pessoas que se distanciou do ato e subiu para a Paulista.
Ao chegarem ao prédio da administração municipal, os participantes realizaram um jogral e cantaram uma paródia bem-humorada de “Beijinho no Ombro”, da cantora Valesca Popozuda, contra a Polícia Militar e o prefeito Fernando Haddad. Mas ao se prepararem para seguir para a secretaria, a polícia começou a atirar bombas de gás lacrimogêneo. Segundo informaçõesdivulgadas pela Polícia Militar em seu Twitter, isso aconteceu porque a tropa foi atingida por fogos de artifícios.
Após a ofensiva da PM, começou uma correria pelo Viaduto do Chá, lotado de manifestantes. As pessoas, muitas com os braços para o alto em sinal de rendição, eram empurradas contra os muros. Gritos de "calma", "não corre" e "sem violência" eram ouvidos. Algumas, encurraladas, se encolhiam,  com as mãos protegendo a cabeça. Outras chegaram a subir na mureta da ponte. “Jogaram muitas bombas, corremos. Tive medo de cair do viaduto", conta José, de 23 anos. No meio do clima de medo e confusão, voluntários ajudaram os afetados por gás lacrimogêneo colocando vinagre em seus rostos e nas roupas para aliviar a sensação de queimação na pele e nos olhos causada pelas bombas.
Os manifestantes que estavam na frente do ato tentaram fugir pela rua Líbero Badaró, que estava bloqueada pela cavalaria da PM, conta Luize Tavares, uma das militantes do MPL. "Ficamos encurralados", afirmou. Outra parte dos presentes seguiu para o Vale do Anhangabaú, onde foi perseguida por policiais que atiravam. O tumulto continuou perto do Theatro Municipal e no entorno do metrô São Bento, onde fica a secretaria dos Transportes. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, uma jovem desmaiou e policiais atingiram com spray de pimenta pessoas que tentavam socorrê-la, para “isolar algumas áreas”, explicou o major da PM Victor Fedrizzi. Não houve relatos oficiais de feridos.
Além de agências bancárias, o vidro de uma viatura policial foi quebrado, relatou a polícia. Seis pessoas foram levadas para o 78º DP, nos Jardins, e outras cinco para o 2º DP, no Bom Retiro, segundo advogados ativistas –voluntários que atuam nos atos. 
Depois das bombas, o protesto se dispersou. Por volta de 22h já não havia mais focos de conflito no centro. "A repressão da polícia foi desproporcional, atiraram bombas diretamente nas pessoas. Mas as manifestações vão continuar, independentemente da repressão", disse Érica Oliveira, militante do MPL. O grupo marcou umterceiro ato para a próxima terça, às 17h, na praça Silvio Romero, próximo ao Metrô Tatuapé (zona leste de São Paulo).
O ato desta sexta-feira foi menor do que o primeiro. Segundo a PM, 3.000 pessoas participaram -no último, foram 5.000. Mesmo na contagem mais otimista, feita pelo MPL, havia menos participantes: 20.000, diante dos 30.000 estimados na sexta anterior.  
Essa segunda manifestação aconteceu depois de uma reunião do prefeito Fernando Haddad com militantes da Juventude do PT, em que foram articuladas medidas para reencaminhar a discussão do transporte público, conforme informou o EL PAÍS nesta quinta-feira. O grupo, que representava também movimentos de moradia, estudantis e sindicais, planeja a realização de atos paralelos, numa tentativa de esvaziar as manifestações do Movimento Passe Livre. Antes do ato, o MPL  divulgou nota chamando a atitude da prefeitura de “lamentável”. Na noite desta sexta, Erik Bouzan e Rogério Cruz, secretários municipal e estadual da Juventude do PT, respectivamente, afirmaram que a reunião não tinha a intenção de desmobilizar os atos e, sim, de apresentar a pauta do grupo relacionada aos Transportes para o prefeito.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/17/politica/1421460032_878410.html

Além da ditadura econômica, a ditadura policial.

MOVIMENTO PASSE LIVRE

“Senti um soco e falei: perdi, perdi”

O depoimento de um militante preso na manifestação desta sexta-feira

Policiais disparam bombas na manifestação de sexta. / NACHO DOCE (REUTERS)
Bruno Karnov, tem 34 anos e trabalha na área de audiovisual. Ele acaba de sair do 78º distrito policial de São Paulo depois de duas horas preso por desacato. Ainda tem uma ferida aberta, causada por uma bala borracha da última sexta-feira, quando o Movimento Passe Livre convocou o primeiro ato contra o aumento da tarifa. Neste segundo protesto ele acabou detido. É a segunda vez que passa pela delegacia: a primeira foi durante a abertura da Copa do Mundo. Eis seu relato:
"Estava pronto para ir embora depois da dispersão no Theatro Municipal. Foi quando vi uma menina gritando dentro de uma Kombi da polícia. Mas ela gritava muito mesmo. Não posso assegurar o que estavam fazendo com ela, mas me pareceu que estavam dando um mata-leão e enforcando a menina.
Meu sangue subiu e em uma atitude muito estúpida dei um tapa na Kombi e depois um chute. Aí senti um soco e falei: "perdi, perdi". Lembro de ter caído no chão e ver apenas botas ao meu redor, mas eles não me agrediram.
Dentro do DP eles jogam no psicológico, e é impressionante porque eles vão de amigões e falam: "amigo, nós concordamos com os protestos de vocês, mas sabe que sempre tem essa meia dúzia..." Mas hoje foi tranquilo em comparação com a primeira vez, na abertura da Copa. Ali tomamos muita porrada, estávamos pelados e nos pediram para ficar de cócoras e sofremos uma humilhação do caralho. Desta ainda me sai bem.
Eu me reivindicava anarquista, mas hoje sou autônomo. Eu acredito em um movimento popular e apartidário. Se acho minha prisão justa? Bom, eu chutei uma Kombi da polícia, não sei se isso é justo. Na verdade estou perdendo a noção de justiça, pois também não acho justo um policial agredir uma menina.
Depois de duas prisões estou cogitando se volto aos protestos. Mas o pessoal do MPL recebeu já um monte de intimação e eles continuam na luta. Eles são uma inspiração e os únicos que conseguem unificar a esquerda. Então acho que estou nessa.
Estou com muita raiva e muito medo. Esses caras [os policiais] vão me deixar louco.
Eu queria ter notícias dessa menina que gritava. Ela era negra, e tinha uns 16 anos. Me avisem por favor se souberem de alguma coisa”.
Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/17/politica/1421497282_708080.html

Militares, ciências, Educação Popular.

A pandemia atual expõe a falácia de alguns dogmas sobre a pós modernidade, ela mesma integra a lista dos enunciados falsos de evidências lóg...